Política de preços da Petrobras põe em risco mercados financeiros ocidentais, por J. Carlos de Assis

Foto: Agência Brasil

Entrevista com o economista José Carlos de Assis, assessor de Economia Política do Senador Roberto Requião

A política de preços adotada por Pedro Parente, o ex-presidente  da Petrobrás, seguida pela atual Diretoria e patrocinada pelo presidente Michel Temer coloca em risco o sistema financeiro ocidental, tendo em vista suas conseqüências nos mercados mundiais de soja e de milho.

Para conciliar esse subsídio com a política de preços da Petrobrás, vinculada aos mercados internacionais, inventou financiá-los com cortes nos orçamentos públicos, inclusive de educação, saúde e segurança; paralelamente, forçou  que governadores aceitassem um corte de 7 centavos no ICMS, o que simplesmente os enfureceu, pois o próprio governo os depauperou com uma política continuada de centralização financeira e pagamento de juros e amortização de dívida indevida.

Ainda com vistas à pacificação dos caminhoneiros autônomos, o Governo baixou uma tabela com preços mínimos dos fretes, o que enfureceu os donos do agronegócio, para quem a tabela inviabiliza seus negócios na esfera do transporte.

Finalmente, diante de várias ações de inconstitucionalidade impetradas pelos donos do agronegócio contra o tabelamento dos fretes – tecnicamente, eles tem razão, porque o tabelamento num setor competitivo é inconstitucional mesmo – . o assunto foi remetido ao ministro Luiz Fux, um absoluto neófito na matéria.

Adiando, do dia 28 de junho último, sua decisão sobre a matéria, Fux deveria dar seu parecer “salomônico” nesta quinta-feira. Não deu. Adiou para o dia 27 de agosto. Até lá, vigorará o caos nos mercados, não só de commodities, mas também nos demais mercados financeiros interconectados com os de commodities.

Se alguém pensar que é algo muito parecido com 2008, não é mera coincidência. Entretanto, o sistema financeiro internacional não especulativo pode ficar tranqüilo: no mundo real das trocas de mercadorias, analisadas por Marx, hoje comandado pela China e pelos seus associados orientais, não há risco de uma débâcle financeira: Pequim, o grande guardião do capitalismo ocidental, entrará em ação para estabilizar os mercados, mesmo porque Donald Trump não é muito simpático a Wall Street para fazê-lo.

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