2019 – Cooperação é a Onda do Momento – A participação individual e o conjunto da equipe para vencer desafios: “A soma de todos deve ser maior que a soma das partes”

Por Fernando Só e Silva e Marcos Serafim

Consideramos 2019 – em uma opinião pessoal otimista, mas bastante factível –, como o “ano J”, isto é, uma pequena caída nos primeiros meses, ainda consequências de alguns maus resultados do ano anterior, mas depois, uma recuperação crescente e consistente. O País entrará num ciclo virtuoso, deixando a crise para trás.

Para o nosso artigo, com as perspectivas para o setor de tecnologia e segurança eletrônica em um ano que se inicia, sugerimos uma pauta com seguintes fatores:

 O que poderá ter um grande impacto nas vendas do setor;

 Quais serão os maiores desafios para o mercado;

 Como estão posicionados o setor e o potencial de vendas de seus produtos para os vários mercados da segurança.

No entanto, não temos a pretensão de discorrer sobre estes assuntos em detalhes nem tão pouco fazer inferências frente a tamanha diversidade de demandas por produtos e serviços que teríamos que abranger, mas sim, dar destaque para estes fatores, principalmente direcionadas para quem trata dos assuntos estratégicos nas empresas e com seus planejamentos de marketing e vendas.

Para corroborar o fator “maiores desafios”, onde nos sentimos mais a vontade para opinar, trazemos alguns números interessantes sobre a indústria paulista e seu potencial de mercado para a aplicação de ferramentas tecnológicas nos seus sistemas de proteção. Explicamos: no final do ano passado, o Departamento de Defesa e Segurança da FIESP através do seu Núcleo de Pesquisas foi ao mercado industrial perguntar sobre a participação da tecnologia nos seus sistemas de segurança; as respostas são bastante alvissareiras para o setor.

Foi feita uma pesquisa exploratória sob nossa coordenação para investigarmos o grau de maturidade das técnicas de gestão de riscos na indústria. Considerando gestão de riscos conceituada como “a administração preventiva dos riscos aos quais a organização está exposta, através da sua identificação, monitoramento, avaliação e probabilidades de ocorrências, bem como planos e medidas adotados para sua prevenção e/ ou minimização”. A segurança eletrônica e a aplicação da tecnologia estão classificadas dentro dos sistemas de proteção, utilizados para fazer frente aos riscos empresariais. Na pesquisa, fizemos a seguinte proposição: “Cada vez mais são utilizados meios tecnológicos para complementar as atividades dos colaboradores envolvidos na gestão de riscos e/ou segurança, muitas vezes objetivando o aumento da eficiência e redução de custos. Como sua empresa está inserida neste contexto?”.

Das empresas que praticam atividades de gestão de risco, pelo menos parcialmente, 9,1% consideram que sua inserção nessa realidade é alta, ou seja, conhecem as tecnologias e as aplicam da melhor forma. Para 46,6%, sua inserção nessa realidade é média, ou seja, conhecem estas tecnologias e as aplicam de alguma forma. Para 31,9%, sua inserção é baixa, ou seja, sabem da aplicação dessas tecnologias, mas não as utilizam. Outros 12,4% não responderam esta questão.

Entre as empresas de grande porte, a inserção é maior: 24,1% afirmaram que conhecem essas tecnologias e as aplicam da melhor forma.

Com os números acima, animador para as empresas do setor de tecnologia e segurança eletrônica, está o somatório das empresas com baixa e média aplicação destas técnicas, na composição de seu portfólio de proteção em sua gestão de riscos: 78,5%. Isto representa um grande potencial de mercado a ser explorado.

Mas então, cooperação é a nova onda, conforme está no título do artigo? E o que isto quer dizer? Pode significar uma solução completa e ampla com diversos players atuando em conjunto. Um bom exemplo que já se apresenta para ser solucionado, é a busca por respostas para fazer frente a outro grande desafio para o mercado, quando se trata de atuação na indústria: a chegada no limite da redução da aplicação de mão de obra na segurança empresarial. Cooperação, tecnologia e inovação para os próximos passos fazem parte da receita. Em um exemplo ilustrativo, a automação de portarias pode ser um bom começo, observando que não estamos falando de portaria virtual de condomínios residenciais e sim para plantas industriais (e comerciais). Um projeto para esta demanda baseia- se em quatro pontos básicos, incluindo:

1. Totem de autoatendimento;

2. Sistema de controle de acesso;

3. Monitoramento de imagens;

4. Central de Monitoramento, Controle e Atendimento.

Observem o conjunto de fornecedores que devem fazer parte de um aparato como este; fica aqui um exercício de imaginação, o tal do “mais com menos”, com vários players envolvidos.

Seguindo em frente no nosso exercício, trazemos para a mesa colaborativo, outro importante dispositivo para integrar o projeto; o reconhecimento facial. A busca por tecnologias de reconhecimento facial, diminuindo custos na plataforma integrada e aumentando a possibilidade de sua aplicação em maior escala.

Outro player fundamental para a entrega dos serviços da plataforma colaborativa é o necessário monitoramento do desempenho do aparato tecnológico, traduzindo-se na gestão por indicadores. Entra em cena então, o famoso SLM (Service Level Management), para melhorar a tomada de decisões, fortalecer a operação de segurança e o gerenciamento de riscos como um todo.

Também não pode ficar fora deste pacote a segurança cibernética, pois se vê como tendência a migração dos ataques, de desktops para smartphones e/ou mesmo para a Internet das Coisas (IoT), incluindo aí as câmeras IP, equipamentos e dispositivos para controle de acessos e demais aparatos que compõem o projeto, com a conotação de que, o que estiver mais vulnerável, será a porta de entrada para as intrusões. Aqui entra em cena, como parte do projeto, a necessária característica de “resiliência cibernética”, que pode ser definida como a capacidade da organização, rapidamente, voltar ao estágio operacional anterior ao ataque e ao dano cibernético. A “resiliência cibernética” dá às empresas a chance de mitigarem seus riscos de maneira mais preventiva e seguirem operando. Os riscos cibernéticos são uma das faces negativas da 4ª revolução industrial.

Finalizando e como conclusão, deixamos alguns alertas, consequências dos desafios e necessidades aqui levantadas na tal atuação colaborativa, característica irreversível desta 4ª revolução industrial. Entendemos que, em muitos casos, serão determinantes para as empresas bem-sucedidas, não o fornecimento dos melhores produtos, mas a reunião das melhores condições para combinar vários tipos de dispositivos, dados e serviços, de forma a poderem estar integradas em soluções conjuntas. Desta forma, “plataformas fechadas” devem ter seus dias contados, pela impossibilidade de se refletirem em propostas concretas como partes integrantes de um conjunto.

Para o caso do potencial de mercado industrial, nossa provocação vai na direção de questionar quais devem ser os possíveis requisitos para o enfrentamento deste grande desafio e oferecer à indústria o rol de produtos com tecnologia para a segurança e a gestão de riscos. Investir em mudança de cultura, tal qual o projeto colaborativo definido acima, traçar estratégias assertivas para o acesso aos diferentes setores da indústria, saída da crise e/ou mesmo ter um posicionamento diferenciado para ir atrás das prováveis mais de 150.000 indústrias do estado de São Paulo. Aí sim apresentam-se grandes oportunidades para o setor de tecnologia. Sem considerar outros mercados, tais como os condomínios residências e empresariais, instalações logísticas, comércio, serviços, etc.

Fernando Só e Silva é CEO e fundador da Performancelab Sistemas, Diretor do Departamento de Defesa e Segurança da FIESP.

Marcos Serafim é Diretor de Inovação do Grupo GPS, Diretor do Chapter São Paulo/Brasil da ASIS, Diretor do Departamento de Defesa e Segurança da FIESP.
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