Agrotóxico é risco para quem vive perto de áreas de plantio, diz ONG

ONG diz que a lei que prevê uma distância mínima de 500 metros da comunidade para a pulverização de aviões não é cumprida.

agrotoxico

Um relatório da organização de direitos humanos mais importante do mundo denunciou a contaminação por agrotóxico de comunidades rurais no Brasil.

A imagem que vem à cabeça: aviões sobrevoando plantações para pulverizar agrotóxicos. Mas, e quando esse spray atinge pessoas? Aconteceu em 2013 na escola rural São José do Pontal, em Rio Verde, uma das maiores produtoras de soja, no interior de Goiás. Mais de 30 crianças passaram mal.

Do ano passado para cá, a ONG Human Rights Watch visitou comunidades rurais nas cinco regiões do Brasil. Num relatório divulgado nesta sexta-feira (20), os moradores relatam que são atingidos frequentemente pela pulverização, se queixam de dores de cabeça, náusea, tontura e vômito. E dizem ter medo de denunciar a intoxicação.

Richard Pearshouse, diretor da ONG, diz que o Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, consome mais de 1,5 milhão de toneladas de agrotóxicos por ano. Entre os dez produtos mais vendidos aqui, quatro estão proibidos na Europa.

A ONG diz que a lei que prevê uma distância mínima de 500 metros na pulverização de aviões não é cumprida, recomenda mais fiscalização e também a criação de uma lei federal que limite a aplicação de agrotóxicos por tratores perto de comunidades rurais.

“É chocante que alguém possa despejar pesticidas em lugares onde as pessoas vivem e estudam”, diz Richard.

O Ministério da Agricultura disse que existe fiscalização e prometeu implementar uma das sugestões. “Como, por exemplo, um disciplinamento um pouco mais formal dessas distâncias da aplicação terrestre como feito na aérea. A gente de pronto vai acatar”, afirma Luís Rangel, secretário de Defesa Agropecuária.

O relatório foi divulgado num momento em que o Congresso discute um projeto de lei que altera o processo de registro dos agrotóxicos. Hoje esses produtos precisam ser autorizados pelos ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e da Agricultura. O projeto porpõe que a palavra final fique com o Ministério da Agricultura e fala até em mudança de nome: em vez de agrotóxicos, eles passariam a ser chamados de pesticidas.

A Sociedade Rural Brasileira diz que a mudança deve acelerar a aprovação de produtos, que hoje demora até oito anos. “Esse prazo diminuirá expressivamente e novas tecnologias, bem como novas empresas, poderão operar nesse mercado. Se o Brasil, de fato, deseja produzir alimentos utilizando menos defensivos, nós precisamos de inovação tecnológica”, fala o diretor-executivo João Adrien Fernandes.

Na internet, uma petição contra o projeto de lei tem 1,5 milhão de assinaturas. Dezenas de instituições também se posicionaram contra, como a Anvisa, o Instituto Nacional do Câncer e a Fundação Oswaldo Cruz.

“Produtos que já foram banidos no Brasil poderão ser reintroduzidos. O projeto de lei aponta um caminho que flexibiliza de uma maneira muito clara os interesses das necessidades dos processos de produção agrícola em detrimento dos interesses da saúde e do meio ambiente”, destaca Guilherme Netto, pesquisador da Fiocruz.

 

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/07/agrotoxico-e-risco-para-quem-vive-perto-de-areas-de-plantio-diz-ong.html

 

 

 

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