Argentina eleva juros novamente e peso despenca

Para tentar reduzir seu déficit fiscal e conter riscos financeiros, BC do país aumentou ainda em 5 pontos percentuais a taxa de depósito compulsório para bancos privados.


 

Mulher sai de casa de câmbio em Buenos Aires em 29 de agosto de 2018 (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

Mulher sai de casa de câmbio em Buenos Aires em 29 de agosto de 2018 (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

O governo argentino anunciou nesta quinta-feira (30) que está buscando maneiras de acelerar uma redução de seu déficit fiscal e conter os riscos financeiros, mas no mercado a moeda sofria uma queda brusca ante o dólar.

Cotação do peso argentino despenca em relação ao dólar
Jornal Nacional
Cotação do peso argentino despenca em relação ao dólar

Cotação do peso argentino despenca em relação ao dólar

Na abertura dos negócios, o peso argentino desabou 15,6%, a 39 por dólar, alcançando uma nova mínima histórica e com uma perda de metade de seu valor no ano.

No meio do pacote de medidas para conter o colapso de sua moeda, o banco central argentino anunciou que elevou sua taxa de juros de 45% para 60%, e que aumentou em cinco pontos percentuais a taxa de compulsório (dinheiro que não pode ser emprestado) para bancos privados. Esta foi a quinta alta de juros consecutiva, a última tinha ocorrido no último dia 13.

Taxa básica de juros da Argentina disparou (Foto: Karina Almeida/G1)

Taxa básica de juros da Argentina disparou (Foto: Karina Almeida/G1)

O banco central explicou, em comunicado, que adotou as medidas “em resposta à conjuntura cambial atual e ante o risco de que implique em um impacto maior sobre a inflação doméstica”.

A Argentina atravessa uma forte crise financeira e acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de US$ 50 bilhões, pelo qual o governo se compromete a reduzir seu déficit a 1,3% do Produto Interno Bruto em 2019.

“Estamos trabalhando na instrumentação para adiantar nossas metas para o próximo ano para reduzir esse risco financeiro, o qual vai levar necessariamente à continuidade das discussões de como acelerar também o caminho até o equilíbrio fiscal”, disse o chefe de gabinete, Marcos Peña, em um discurso num evento com empresários.

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros de 45% para 60% ao ano

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Após o evento, ele disse a jornalistas que o governo argentino cometeu erros, mas que o país agora vai na direção correta.

O presidente argentino, Mauricio Macri, havia anunciado na quarta-feira que acertou um adiantamento de recursos com o FMI para garantir o financiamento do país, em meio a temores de uma potencial interrupção dos pagamentos da dívida.

Preocupações

A situação da Argentina, a terceira maior economia da América Latina, segue causando preocupações no mercado à medida em que o país se esforça para se libertar de seu notório ciclo de crises financeiras de uma década. O mais recente, pontuado por um calote da dívida de 2002, jogou milhões de argentinos da classe média na pobreza.

Há temores de que o país, que tem elevada inflação, economia fraca e sofre as consequências de um uma venda global nos mercados emergentes, possa não cumprir com suas obrigações de dívida.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/08/30/argentina-eleva-juros-novamente-e-peso-despenca.ghtml

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