Governança corporativa com velocidade e arte

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Nas empresas, tem sido discutido intensamente o novo ritmo de mudanças e seu impacto na governança corporativa

É momento de se dar clareza ao fato de que o conselho deve ser a força motriz para uma nova forma de pensar e atuar. É necessário avaliar que pilares podem ser adicionados à nova governança, de modo que transformem o conselho em um impulsionador de mudanças reais e determinantes para a perenidade do negócio.

Muitas vezes, boa parte do tempo dos administradores e executivos é consumido pela execução de seus deveres do dia a dia. Os conselheiros hoje precisam ser ágeis e ousados, algo que parece dissonante do que antes se esperava do conselho de administração.

Cada conselho é único e distinto, mas há semelhanças entre aqueles que estão mudando essa relação com o corpo executivo e contribuindo para criação de valor de médio e longo prazos. Eles têm a capacidade de olhar para fora e para dentro, indo além das melhores práticas e buscando uma inovação contínua.

Nesse novo conselho, as dinâmicas são diferentes, mais fluidas e um pouco além do famoso nose in, fingers out, uma vez que ele está muito mais perto da empresa do que se considerava adequado no passado. Esses conselheiros dizem que estar nessa nova função é quase um trabalho em tempo integral. Isso faz sentido, pois só se é capaz de entender as dores da gestão quando se está próximo de tudo que está ocorrendo em seu ecossistema.

Essa nova dinâmica também colabora para que os processos, naturalmente mais burocráticos e densos, estejam mais claros e suas validações mais fáceis, liberando um tempo precioso para discutir ações estratégicas determinantes para o longo prazo da companhia.

No caminho para essa transformação, uma das primeiras perguntas que surge é: Como seu conselho se relaciona entre si, com os acionistas, com o corpo executivo e com o ecossistema do qual a empresa faz parte? Outras questões devem estar no radar: Conselho e gestão atuam de forma colaborativa? Há diversidade nesse conselho e que resulte em diferentes olhares, perspectivas e novas abordagens que possam afetar o futuro da empresa?

Tais provocações também valem para sustentabilidade, responsabilidade social e outros temas essenciais à sobrevivência da companhia no longo prazo. A transparência e a clareza para o acionista também o são. Mudanças podem acarretar menores retornos no curto prazo. Além disso, a inovação também vem com o erro. Cabe avaliar como ele é tratado na empresa e se o conselho é aberto a novas ideias.

Há quem diga que, em um ambiente inovador, a gestão de riscos precisa ser clara e delineada, dando segurança para a corporação saber até onde ela pode ir. Quando se fala em autonomia e intraempreendedorismo, uma reformulação dessa gestão é mais do que necessária.

Vivemos em um mundo onde a excelência operacional é tão imprescindível quanto a inovação, dois pilares que demandam muita energia na gestão corporativa. O conselho da sua empresa consegue ajudar seus executivos a olharem para outros caminhos?

Equilibrar todas essas questões envolve ciência, mas também um tanto de arte. A luz que se joga sobre as figuras ou cada tema faz com que perspectiva e imagem finais mudem. Expandir as discussões e ouvir as dores da execução ajuda a pincelar as obras que estão por vir.

A complexidade é tanta que hoje temos muitas perguntas e poucas respostas. Como sugestão, vale começar pela composição do conselho e sua consequente dinâmica, aproximando-o ainda mais da gestão e do dia a dia da companhia. A gestão de risco pode ser impecável, mas se o conselho não for diverso, não tiver um olhar 360 nem oportunidade de entender as mudanças do ecossistema, pode ser que a empresa não obtenha a inovação na velocidade necessária para garantir sua perenidade.

* Carla Leal e Juliana Buchaim e Mônica Pires são, respectivamente, membros e coordenadora da Comissão de Inovação do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

*Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC

https://itforum365.com.br/colunas/governanca-corporativa-com-velocidade-e-arte/

Crise atual é teste para compliance, dizem especialistas

As companhias precisam considerar a prevenção de ilícitos, inclusive as que eventualmente envolvam doações para combater a covid-19 no Brasil

Crise atual é teste para compliance, dizem especialistas

O momento atual da crise provocada pelo novo coronavírus será um grande teste para as áreas de compliance, na visão de especialistas que participaram de evento promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) nesta sexta-feira. Além disso, as companhias precisam considerar a prevenção de ilícitos, inclusive as que eventualmente envolvam doações para combater a covid-19 no Brasil.

Para o professor de compliance e ex-corregedor da União, Antônio Carlos da Nobrega, as empresas que já tem implementados mecanismos de transparência e de mitigação de conflitos de interesse, por exemplo, passarão pelo momento com mais tranquilidade. “Esse é um período do de excepcionalidade e não significa que podem haver desvios e fraudes”, afirmou.

Houve casos de empresas que consideraram o desligamento das atividades das áreas de compliance durante a pandemia porque não eram consideradas essenciais. Além disso, durante a pandemia, já foram descobertos episódios de corrupção envolvendo secretários de saúde.

“Nem mesmo uma pandemia como essa serve de obstáculo para o corrupto. Achamos que o senso de solidariedade e integridade pode se estabelecer entre nós, mas quando se fala em corrupção, sabemos que as coisas não funcionam dessa maneira”, disse o diretor de compliance da Petrobras, Marcelo Zenckner.

Nobrega lembra que é necessário ter clareza nas doações realizadas, com o adequado registro, evitando intermediários e o uso político das doações. “Para que as doações alcancem seus objetivos, são necessários cuidados para que não haja desvios”, afirmou.

O diretor de compliance da BRF, Reynaldo Goto, disse que a empresa tem lidado com fornecedores novos — de máscaras e álcool em gel, por exemplo. “Talvez mais importante que a due diligence, é acompanhar a real capacidade do fornecedor de executar e garantir que não vai cruzar linhas de corrupção ou direitos humanos”, afirmou.

O diretor da Petrobras lembrou medidas que foram adotadas pela empresa por causa da pandemia, como a testagem de funcionários e a redução de remuneração da alta administração. Na BRF, as pessoas que compõem grupos de risco foram afastadas e a empresa também está intensificando os testes, segundo Goto.

https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/empresas/noticia/2020/05/22/crise-atual-teste-para-compliance-dizem-especialistas.ghtml

PANDEMIA “TESTA” REGRAS DE COMPLIANCE DE SETOR

Londres – Negócios de bilhões de dólares estão sendo feitos de mesas de cozinhas ou em quartos, uma vez que operadores de mercados financeiros estão trabalhando em casa como medida para evitar a disseminação do novo coronavírus, colocando sob teste protocolos criados para fazê-los seguirem as regras.

Longe de escritórios, executivos encarregados por regras de compliance descobriram que não podem mais fiscalizar suas equipes, o que tem deixado alguns bancos e corretoras preocupadas sobre as atividades de seus operadores durante medidas de quarentena.

“O pessoal de compliance não pode andar pelos andares para ver o que realmente está acontecendo e ouvir parte das conversas”, disse Rahel Sexton, diretora de serviços forenses e de práticas de integridade da EY, em Londres.

E após enfrentarem multas de bilhões de dólares por manipulação de mercado, empresas financeiras estão dependendo de suas equipes de compliance contra abusos e para se manterem longe do radar de autoridades dos mercados.

“Há uma série de questões em termos de como um banco pode transmitir para uma sala de estar todo o excelente trabalho realizado em promover um comportamento cultural e ético”, disse Martin Pluves, presidente-executivo da Comissão de Padrões de Mercados (CFTC) da britânica FICC.

A entidade foi criada para melhorar a conduta nos mercados de renda fixa e commodities, e Pluves está planejando uma série de ações para que os participantes os ajudem a exitar potenciais armadilhas de conduta.

Enquanto isso, bancos estão cobrando de autoridades garantias de que não sofrerão sanções assim que a pandemia for resolvida, disse um alto executivo da área de compliance de uma corretora global.

Monitoramento – A maior tarefa é garantir que os operadores não estejam utilizando seus telefones pessoais e que todas as transações tenham um rastro eletrônico que os reguladores podem verificar em caso de suspeitas.

“A maior parte dos reguladores tem sido compreensiva sobre as questões de auditoria, mas apenas a CFTC deu um alívio real sobre potenciais questões envolvendo gravações de voz”, disse o executivo, acrescentando que há algumas dificuldades como a realização, a partir de casa, de transações como block trades.

“Trabalhar de casa era muito raro antes da pandemia. Era coisa apenas para um importante operador que tivesse uma grande casa em um bairro chique”, disse Tim Carmody, vice-presidente de tecnologia da IPC, uma empresa norte-americana de sistemas financeiros.

Os ricos operadores nova-iorquinos estão recebendo companhia de colegas em apartamentos de cidades como Auckland, London, Boston e São Paulo, em um momento em que bancos e corretoras estão atuando para se manterem ativos durante a pandemia.

Para ajudar os bancos a cumprirem regras de compliance, Carmody disse que a IPC instalou 10 mil gravadores de voz em casas de operadores nos Estados Unidos e Europa entre o começo de março e meados de abril.

“Temos visto quais clientes estavam preparados para isto e quais enfrentam problemas”, disse ele, acrescentando que enquanto grandes instituições financeiras instalaram centenas, se não milhares de kits nas casas de seus operadores, os bancos menores enfrentam dificuldades.

https://diariodocomercio.com.br/coronavirus/pandemia-testa-regras-de-compliance-de-setor/

Governança corporativa com velocidade e arte

Nas empresas, tem sido discutido intensamente o novo ritmo de mudanças e seu impacto na governança corporativa

governança corporativa

É momento de se dar clareza ao fato de que o conselho deve ser a força motriz para uma nova forma de pensar e atuar. É necessário avaliar que pilares podem ser adicionados à nova governança, de modo que transformem o conselho em um impulsionador de mudanças reais e determinantes para a perenidade do negócio.

Muitas vezes, boa parte do tempo dos administradores e executivos é consumido pela execução de seus deveres do dia a dia. Os conselheiros hoje precisam ser ágeis e ousados, algo que parece dissonante do que antes se esperava do conselho de administração.

Cada conselho é único e distinto, mas há semelhanças entre aqueles que estão mudando essa relação com o corpo executivo e contribuindo para criação de valor de médio e longo prazos. Eles têm a capacidade de olhar para fora e para dentro, indo além das melhores práticas e buscando uma inovação contínua.

Nesse novo conselho, as dinâmicas são diferentes, mais fluidas e um pouco além do famoso nose in, fingers out, uma vez que ele está muito mais perto da empresa do que se considerava adequado no passado. Esses conselheiros dizem que estar nessa nova função é quase um trabalho em tempo integral. Isso faz sentido, pois só se é capaz de entender as dores da gestão quando se está próximo de tudo que está ocorrendo em seu ecossistema.

Essa nova dinâmica também colabora para que os processos, naturalmente mais burocráticos e densos, estejam mais claros e suas validações mais fáceis, liberando um tempo precioso para discutir ações estratégicas determinantes para o longo prazo da companhia.

No caminho para essa transformação, uma das primeiras perguntas que surge é: Como seu conselho se relaciona entre si, com os acionistas, com o corpo executivo e com o ecossistema do qual a empresa faz parte? Outras questões devem estar no radar: Conselho e gestão atuam de forma colaborativa? Há diversidade nesse conselho e que resulte em diferentes olhares, perspectivas e novas abordagens que possam afetar o futuro da empresa?

Tais provocações também valem para sustentabilidade, responsabilidade social e outros temas essenciais à sobrevivência da companhia no longo prazo. A transparência e a clareza para o acionista também o são. Mudanças podem acarretar menores retornos no curto prazo. Além disso, a inovação também vem com o erro. Cabe avaliar como ele é tratado na empresa e se o conselho é aberto a novas ideias.

Há quem diga que, em um ambiente inovador, a gestão de riscos precisa ser clara e delineada, dando segurança para a corporação saber até onde ela pode ir. Quando se fala em autonomia e intraempreendedorismo, uma reformulação dessa gestão é mais do que necessária.

Vivemos em um mundo onde a excelência operacional é tão imprescindível quanto a inovação, dois pilares que demandam muita energia na gestão corporativa. O conselho da sua empresa consegue ajudar seus executivos a olharem para outros caminhos?

Equilibrar todas essas questões envolve ciência, mas também um tanto de arte. A luz que se joga sobre as figuras ou cada tema faz com que perspectiva e imagem finais mudem. Expandir as discussões e ouvir as dores da execução ajuda a pincelar as obras que estão por vir.

A complexidade é tanta que hoje temos muitas perguntas e poucas respostas. Como sugestão, vale começar pela composição do conselho e sua consequente dinâmica, aproximando-o ainda mais da gestão e do dia a dia da companhia. A gestão de risco pode ser impecável, mas se o conselho não for diverso, não tiver um olhar 360 nem oportunidade de entender as mudanças do ecossistema, pode ser que a empresa não obtenha a inovação na velocidade necessária para garantir sua perenidade.

* Carla Leal e Juliana Buchaim e Mônica Pires são, respectivamente, membros e coordenadora da Comissão de Inovação do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Governança corporativa com velocidade e arte