Mensagens com conteúdo #FAKE sobre fraude em urnas eletrônicas se espalham nas redes

Por Marina Mota e Marlen Couto, TV Globo e O Globo

 


Às vésperas das eleições, circulam pelo WhatsApp e em outras redes sociais mensagens, vídeos e fotos com conteúdos falsos que lançam dúvidas sobre as urnas eletrônicas brasileiras. No entanto, nunca foi provada nenhuma fraude.

O equipamento começou a ser implantado em 1996. Na preparação para cada eleição, as urnas passam por uma série de testes. A Justiça Eleitoral permite que representantes da sociedade possam analisar e verificar a autenticidade dos equipamentos. Especialistas dizem que alguns desses testes revelaram falhas de segurança no sistema. Apesar disso, jamais se provou algum tipo de fraude.

A equipe do Fato ou Fake verificou alguns dos boatos mais compartilhados sobre as urnas eletrônicas na reta final da campanha. Confira:

ESTUDOS INDICAM CHANCE DE 73,14% DE FRAUDE?

Fake — Foto: G1Fake — Foto: G1

Fake — Foto: G1

Em um vídeo publicado no YouTube do canal “Brasil Paralelo”, com 1,3 milhão de visualizações, um homem identificado como Hugo Cesar Hoeschl afirma que “estudos internacionais indicam que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial foi de 73,14%”. O autor, que diz já ter trabalhado como delegado, promotor e procurador, afirma ainda que as urnas eletrônicas brasileiras não são auditáveis. Segundo o vídeo, neste ano, haverá uma operação tecnológica para investigar em tempo real a validade da eleição e os resultados da operação antifraude serão divulgados no dia 11 de outubro.

Vídeo tem informações falsas — Foto: Reprodução

Vídeo tem informações falsas — Foto: Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta sexta-feira uma nota com esclarecimentos sobre as supostas fraudes na urna eletrônica mencionadas no vídeo. A nota explica que “as urnas brasileiras foram projetadas pelo TSE, contemplando características específicas e adequadas ao contexto nacional”. “Há 22 anos, as urnas eletrônicas têm sido utilizadas nas eleições brasileiras sem nenhuma comprovação efetiva de fraude.”

O texto informa ainda que “o resultado das eleições gerais de 2014 foi auditado de modo independente por iniciativa de partido político, sem que qualquer irregularidade fosse identificada”. E diz que que “não há registro, porém, de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte”.

EX-DEPUTADO RECEBEU ASILO POR DENUNCIAR FRAUDE?

Fake — Foto: G1Fake — Foto: G1

Fake — Foto: G1

Em outro vídeo, com 78 mil visualizações, um youtuber identificado como Daniel Lopez diz que o ex-deputado delegado Protógenes Queiroz descobriu que as urnas foram fraudadas e conseguiu a confissão de um técnico que trabalhava neste processo das urnas eletrônicas. As declarações foram dadas por Protógenes numa entrevista à jornalista Mariana Godoy da Rede TV no ano passado para justificar o fato de não ter sido reeleito em 2014.

O autor do vídeo insinua que Protógenes está na Suíça porque recebe ameaças por ter feito estas denúncias. O ex-deputado, na verdade, recebeu asilo do governo Suíço em 2016 após ter a prisão decretada para cumprir a condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2014 na Operação Satiagraha.

DIRETOR DA OEA ASSUME FRAUDES NAS URNAS?

Fake — Foto: G1Fake — Foto: G1

Fake — Foto: G1

Imagens que circulam nas redes sociais mostram três supostas capas das revistas “Época”,”Veja” e “Exame” com declarações atribuídas ao diretor do Departamento para a Cooperação e Observação Eleitoral da OEA, Gerardo de Icaza, em que ele assume fraudes nas urnas eletrônicas nas eleições deste ano. A equipe do Fato ou Fake já mostrou que as capas são #FAKE.

Capas de revistas são falsas — Foto: Reprodução

Capas de revistas são falsas — Foto: Reprodução

As três capas tratam sobre supostas declarações de Icaza em que ele admite possíveis fraudes nas eleições a favor do Partido dos Trabalhadores (PT). Na versão falsa de capa da revista “Época”, a manchete diz: “E agora PT? Gerardo de Icaza abre a boca e assume fraudes nas urnas em favor do PT”. De acordo com as imagens, a falsa capa teria sido publicada na edição 937, no dia 25 de setembro deste ano, em uma terça-feira. A semanal, no entanto, é publicada às sextas-feiras com a edição de O GLOBO , e a edição mencionada é do dia 30 de março de 2016. Além disso, a capa fake usa o projeto gráfico antigo da publicação, alterado em março deste ano.

Já a versão fake de capa produzida para a revista “Veja”, publicação da “Editora Abril”, traz a mensagem: “Bomba! Gerardo de Icaza, diretor da OEA, admitiu negociação para fraudar urna eletrônica e colaborar com o PT”. Há ainda uma chamada com o texto: “Fernando Haddad diz ter sido enganado e convoca reunião urgente com líderes do partido”. Segundo a imagem que circula nas redes, a edição 2.600 da revista teria sido publicada também numa terça-feira. Assim como “Época”, “Veja” não é publicada às terças-feiras. A edição 2.600 da semanal da Editora Abril foi distribuída no dia 21 de setembro com a manchete: ” Quem vai com ele. Qual candidato tem mais chance de disputar o segundo turno com Bolsonaro – e por quê”. A falsidade das capas também foi confirmada pela assessoria da Editora Abril.

PF APREENDEU URNAS COM VOTOS PARA HADDAD?

Fake — Foto: G1Fake — Foto: G1

Fake — Foto: G1

Uma mensagem falsa dizendo que a Polícia Federal apreendeu 152 urnas eletrônicas dentro de uma van, sendo que 121 delas estavam preenchidas com votos para o candidato à Presidência pelo PT, circulou em tom alarmista pelas redes sociais, principalmente o WhatsApp. A afirmação é #FAKE, como mostra checagem feita pela equipe do Fato ou Fake nesta sexta-feira.

Mensagem sobre apreensão de van com urnas é falsa — Foto: Reprodução

Mensagem sobre apreensão de van com urnas é falsa — Foto: Reprodução

A Polícia Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informam que nenhuma apreensão do tipo foi feita e que a informação não procede. O TSE explica que as urnas eletrônicas têm lacres físicos que impedem qualquer tentativa de manipulação até chegarem ao local de votação e estão programadas para receber votos apenas a partir das 8h do dia da eleição.

“Antes de a votação começar, a urna emite o relatório ‘zerésima’, que é impresso após a verificação de que não existem votos gravados na urna, comprovando que a urna está sem votos”, acrescenta ainda o órgão em nota. A Polícia Federal informou, também em nota, que “não há registro dessa ocorrência”.

DOCUMENTO DO EXÉRCITO EXIGE PERÍCIA?

Fake — Foto: G1Fake — Foto: G1

Fake — Foto: G1

Circula também um texto afirmando que o Comando das Forças Armadas enviou à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, um documento oficial exigindo perícia nas urnas eletrônicas antes e depois das eleições deste ano. O texto diz que militares de última patente do Exército, Marinha e Aeronáutica desconfiam que o crescimento do presidenciável Fernando Haddad (PT) nas pesquisas eleitorais seja a preparação do terreno para uma megafraude eleitoral. A mensagem já foi checada pela equipe do Fato ou Fake.

Mensagem sobre exigência de perícia por parte do Exército é falsa — Foto: Reprodução

Mensagem sobre exigência de perícia por parte do Exército é falsa — Foto: Reprodução

O texto com o título “Exclusivo: Alto Comando do Exército Brasileiro encurrala TSE e exige perícia nas urnas antes e depois das eleições” foi publicado no dia 25 de setembro pelo advogado Edesio do Carmo Adorno, de 56 anos, que administra um site. O link e o texto da publicação estão sendo amplamente compartilhados em páginas nas redes sociais e grupos de mensagens.

A informação de que as Forças Armadas enviaram um documento sobre a necessidade de perícia nas urnas é atribuída a uma fonte não identificada. Ainda segundo o site, a ministra Rosa Weber “engoliu a seco a exigência, considerada intromissão indevida no Judiciário”.

Em nota, o Exército diz que não solicitou ao TSE nem recebeu qualquer determinação para participar de perícia, avaliação ou auditoria técnica do funcionamento e segurança dos equipamentos eletrônicos de apuração.

Fato ou Fake — Foto: (Foto: G1)Fato ou Fake — Foto: (Foto: G1)

Fato ou Fake — Foto: (Foto: G1)

Digiqole ad

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: